Perdi minha mãe em 2012.Senti muito a morte dela apesar de ter sido uma mãe ausente.Fui eu quem fui no IML de Aracaju para resolver todo o processo de liberação do corpo para sepultamento.Foi horrível vê-la sem vida em cima de uma maca.Daí em diante comecei a pensar na fragilidade da existência humana.Na brevidade da vida.De que tudo tem um fim.Mas que nós,mesmo tendo consciência disso,não aceitamos.Não aceitamos nossa fragilidade. Não aceitamos que nós e que amamos terá o mesmo destino.Nunca estamos preparados...Quatro anos mais tarde meu avô faleceu.Abaixo de Deus e de seu filho Jesus,ele era meu baluarte.Me dava proteção e segurança.Era meu pai e mãe.Tudo pra mim.
Lembro que na minha adolescência eu conversei com um colega em uma praça.Conversávamos a respeito das nossas famílias.Meu colega disse que perdeu o pai muito cedo e teve que trabalhar para ajudar a mãe e os irmãos.E que superou a morte do pai.Eu disse que não me via sem meu avô.Que se ele algum dia morresse eu também provavelmente morreria também.Bem,esse dia chegou.Meu avô faleceu aos 87 anos no mês de abril.Mês do meu aniversário.Adoeceu rapidamente e assim se foi.Me deixou.Me pergunto se existe outras formas de morte.Às vezes acho que também morri.Talvez uma parte de mim tenha morrido junto com ele.
O acompanhei no hospital um dia antes, e justamente(injustamente)no dia que eu não pude ir,ele me deixou...Sabe aquela culpa de não ter ido para a Universidade para poder ficar mais uma vez com ele no hospital?Fui cedinho neste dia na casa dele.Dei banho nele e ele foi para uma consulta no hospital com minha tia e uma vizinha.O coloquei no táxi e disse que na volta eu passaria lá.Não sabia eu que essa seria a última vez que o veria com vida.Cheguei da Universidade e passei na casa dele.Minha tia disse que ele havia passado mal e que estava internado.Eu fui em casa tomar banho e trocar de roupa para ir ao hospital ficar com ele.Alguns minutos depois o vizinho bate a minha porta e diz: "seu avô faleceu"...
Sempre fui chorona.Mas desta vez eu não chorei.A dor foi tanta que no momento, eu só me contorcia por dentro.Agradeci ao vizinho,e disse que rapidamente estaria indo lá na casa do meu vô onde minha tia se encontrava.Fiquei atordoada de tanta agonia.Não sei explicar.Só sei que foi a maior dor que senti em toda a minha vida.
Chorar nos acalma.Logo após o choro vem um certo alívio,mesmo que momentâneo.Mas eu não conseguia chorar.Não conseguia colocar para fora a dor e agonia que sentia naquele momento.Não conseguia sentar,dormir,ou sequer comer.Foram dias terríveis.Hoje já consigo chorar.E o alívio vem, mesmo que momentâneo.Mesmo sabendo que daqui há alguns dias a dor irá voltar a tomar conta de mim.Espero de coração, que a aquele provérbio que diz: "o tempo cura" seja verdade.Pois tudo ainda está muito recente.E vou me apegando aos ensinamentos bíblicos de quando fui Testemunha de Jeová.Aprendi que Jeová Deus trará de volta à vida todos os que já se foram.E até lá,espero superar sua ausência ou pelo menos aprender a continuar a caminhada sem o meu avô.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

0 comentários:
Postar um comentário